quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Vazio

Acabei de assistir a “Finding Neverland” que, no Brasil, recebeu o título de “Em Busca da Terra do Nunca”. Creio que aconteceu comigo algo parecido com o que ocorreu a muita gente: chorei aos litros, e agradeci por ter encontrado este filme, neste exato momento...


O
filme é maravilhoso, sem dúvida (o que me lembra de escrever, quando puder, a respeito de Peter Pan, um dos grandes mitos criados pela cultura moderna). E justamente no que ele possui de especial é que nos apoiamos quando deixamos nossos pensamentos e emoções fluírem, livres.


As
obras de arte promovem um encontro das pessoas consigo mesmas e com seus semelhantes; e acredito que essa comunhão é especial também porque eleva os envolvidos a um outro nível de si mesmos, se assim o desejarem. Cada filme, música, pintura, peça, espetáculo é uma oportunidade que nos é oferecida de estarmos mais próximos de nos encontrarmos.


Acontece
quecertos dias em que o artista consegue, quase sem querer, fazer do seu próprio dia uma obra de arte, inimitável, inalcançável por completo, perfeita em sua incompletude, como um átomo, cujo espaço se encontra em noventa e nove por centoocupadopor um vazio. É claro que não podemos nos esquecer que esse vazio não é absoluto; ele é ocupado pelo Tempo, que asperge caprichosamente suas partículas como numa imensa e frenética pista de dança. Num Universo feito desta maneira, tem cabimento exigirmos tanto de nós mesmos e das coisas o tempo todo?


Não desejo aqui fazer uma auto-retrospectiva, mas creio ser válido apontar: hoje foi um daqueles dias em que fui recompensado por acreditar no vazio que as coisas possuem. Há muito tempo eu não sorria como o fiz hoje; há muito tempo a alegria não era tão intensa! Tão imensa!


Viajo
hoje. Não sei se conseguirei dormir. Meu coração está em muitos lugares, cada parte cheia de vazio; mas elas batem tão rápido e tão intensamente! E em perfeita sintonia...


“O
brilho do teu riso é mais quente que o sol do meio-dia, e mais, e mais, e ô”. Muitos sorrisos, muitos vazios e muito movimento a todos para o próximo ano...


terça-feira, 27 de novembro de 2007

Alma

Um turbilhão de coisas tem passado por minha cabeça e coração nos últimos dias. Mais uma vez a Ágora me leva às portas de alguma coisa essencial, e eu tento entrar...

Me deparei há pouco com um texto muito interessante; mais precisamente, muito revelador. Apesar de reproduzi-lo por meio do link abaixo, aqueles que me conhecem sabem que prefiro dez mil vezes as versões em papel. As coisas também são feitas para os sentidos, não?! Por isso, caso você realmente queira fruir o texto, faça como eu: compre a revista (desta vez, ela vale o esforço). Se você puder, faça mais: leia o texto para alguém de que você gosta muito, alguém que você sabe que também se sentirá mexido pela leitura. Se quiser, faça diferente: peça para que alguém de que você gosta muito leia o texto pra você. Muitas vezes, o leitor apreende até mais do que aquele que ouve...

http://www.simplicidade.net/vs_1207.htm

A partir da leitura, consegui dar forma a uma questão quemuito está em órbita. Presente no texto, ela insistiu - fortemente nos últimos dias e decisões - a descaradamente se imiscuir em meus assuntos: “o que faz bem pra minha alma?” Cada um o mundo das formas como pode e das formas como quer: a frase entre aspas foi lida por mim de forma muito especial. Espero que todo o texto o seja por aqueles que se dispuserem a tanto. Somente uma advertência: preste atenção ao que você lerá; não leia num “intervalo” na correria do trabalho, não leia com um monte de coisas acontecendo em volta; procure um espaço e um tempo para que o texto possa “entrarcomo deve. Leia devagar, leia com intensidade, com atenção; afinal, a gente merece menos? De que adianta estarmos diante do Infinito quando não nos damos conta disso?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Sim

O interessante Contardo Calligaris, na Folha de São Paulo de hoje:

“(...)Yoko Ono era uma artista relevante quando ela encontrou John Lennon. A lenda conta que Lennon se apaixonou por ela por causa de uma obra, ‘Ceiling Painting’ (pintura no teto), de 1966. Trata-se de uma escada branca no topo da qual você encontra uma lupa, com que é possível ler uma [pequenina] inscrição: ‘Yes’. (...) No CCBB [Centro Cultural Banco do Brasil, onde a exposição da artista fica até 03 de fevereiro de 2008], é proibido tocar na escada de ‘Ceiling Painting’. O que fazer? No espírito da exposição, subir a escada encarando os seguranças? Ou negar o sentido da exposição e acatar a proibição?

Nos anos 60, eu teria subido e armado um barraco, mas os tempos mudaram. Na época, se comprasse uma briga, a metade dos visitantes me apoiaria, e talvez a coisa terminasse na demolição do CCBB por uma turma de revoltados, até a chegada da polícia. Hoje, eu seria um vândalo isolado.

Por causa dessa mudança dos tempos, na exposição, as peças interativas (quadros para pintar ou para encher de pregos, cacos que podemos rejuntar com cola, etc.) são tristes pela modéstia bem-comportada de quem aceita o convite a se expressar. Por exemplo, somos convidados a escrever um desejo num papel que penduraremos na ‘Árvore do Desejo’, a qual, no fim da exposição, ficará carregada de sonhos e aspirações”.

A escada branca de “Ceiling Painting” me lembra que na Amsterdã dos mesmos anos sessenta podia-se encontrar nas ruas uma bicicleta inteiramente pintada de branco. Afora a simbologia que o Ocidente construiu em torno da cor branca, essa bicicleta era deixada pelas ruas para ser usada por quem dela precisasse, não interessando os motivos. A pessoa pegaria a bicicleta, andaria com ela até seu destino, deixando-a por , até que o próximo a utilizá-la lhe desse um novo destino, e assim por diante. Nada mais característico do espírito da classe média daquela época na Europa...

Voltemos à obra de Yoko Ono por meio dessas bicicletas brancas de Amsterdã que são as palavras. “Ceiling Painting” parece ser uma prova inconteste de que as palavras têm vida própria. O “Sim” é óbvio, redutor, objetivo, confirmador, ao contrário de seu irmão-gêmeo, o “Não”. O “Sim” é tão peremptório em intenção, e ao mesmo tempo tão abrangente em alcance, que fica difícil dar a ele outro sentido que não o que lhe cabe. O “Sim” dos anos sessenta é muito diferente, no entanto, do “Sim” da primeira década do século XXI. O que aconteceria a John Lennon se desejasse – em muitos sentidosdizersimem 2007? Certas perguntas doem ao serem formuladas, a ponto de não desejarmos respondê-las...

O lugar comum é dizer que nossa época é eminentemente medíocre. Talvez valha a pena retomar o curiosamente empoeirado Karl Marx: “os homens fazem a história, mas não a fazem como querem”. Ao longo da história da humanidade, todas as épocas são o retrato do que as pessoas que nela vivem – coletiva e individualmente – produzem. Emprega-se aqui produzir”, não pensar”. Pensamento, imaginação, sentimentos e sensações são maravilhosos e imprescindíveis; mas o mundo também é feito de matéria, o que significa que materializar intenções em ações faz com que elas existam de fato. Nos anos sessenta, muitas pessoas pensaram e procuraram construir um mundo em que se pudesse dizersim”. Creio que houve relativo sucesso na empreitada: pode-se dizersim” à vontade no mundo de hoje, na proporção inversa em que esse mesmosim” se materializa, se solidifica no mundo concreto.

Mesmo que o assunto fosse outro, estive conversando ontem com uma pessoa muito querida, que me relembrou a origem de uma frase que ela mesma citou há algum tempo; o filósofo francês Pierre Lévy afirmou, certa feita (gostei de escrever isso, “certa feita”; da uma boa impressão a respeito daquele que escreve, não?): “O século XXI será o século de quem souber escolher”. Saber escolher é mesmo fundamental, mas a frase de Lévy oculta o mais importante em sua aparente simplicidade: a escolha somente é escolha ao se concretizar como tal. De que vale escolher e não fazer, pegar, mexer, experimentar?

Me lembro de ouvir alguém dizer que a bicicleta branca era um símbolo bonito, mas que em nada resultava. Se nos contentamos apenas com o símbolo, realmente há pouco a fazer. A “Árvore do Desejo” também é um símbolo bonito, mas podemos pendurar nela a culpa pelossimque não pronunciamos?

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Rir

Desde que descobri o texto que transcreverei abaixo, vivo dizendo que ele deveria ser entalhado em cada praça pública brasileira, tal sua utilidade. o citei em conversas, li para amigos e para alunos. E não canso de pensar nele nos momentos de maior alegria, tristeza, limpidez e ironia.


Cito a
fonte ao final, mas adianto que tudo o que é importante na vida chega às nossas mãos por alguém especial, ladeado por outrosalguénsigualmente maravilhosos, os quais teimamos em fingir que foram colocados “ao acaso”. Como se coincidências existissem...


Caros leitores, aproveitem a oportunidade: leiam em voz alta, pausadamente. Garanto que será muito instrutivo! Ok, mãos à obra:

“(...) O arremate final do paradigma do ‘engraçado arrependido’ vem com um episódio de seu próprio criador, Monteiro Lobato. que tomamos seu pequeno conto de 1918 como inspiração para compreender a auto-imagem destes humoristas brasileiros da Belle Époque, é impossível não concluir com a menção a um episódio semelhante quando se propõe, pela terceira vez, desta feita no ano de 1944, o nome do próprio Lobato para a Academia Brasileira de Letras. Antes da consumação do episódio, contudo, é ele mesmo que resolve desistir da candidatura, decisão que parecia um tanto óbvia, que era inimaginável que o escritor participasse das mesmas reuniões com um acadêmico pelo qual ele nutria um ódio explícito – Getúlio Vargas. O mais importante, contudo, para ilustrar o paradigma do ‘engraçado arrependido’, vem numa carta furibunda que Lobato escreve para [o amigo] Cassiano Ricardo, naquele mesmo ano:


Chegaram-me ao ouvido tantas intrigas a respeito da minha entrada , que resolvi pôr fim à situação com um coice, mas estava a mil léguas de supor que ias assim tão magoado. Não culpe o Menotti. Ele fez tudo direitinho. O ruim, o peste, sou eu . E sabe por quê? Porque não consigo levar a sério coisa alguma nesse indecentíssimo mundo. Academia, presidente, papa, bispos, generais: tudo bonecos, sacos de tripa com muita merda por dentro e vaidades e bobagenzinhas por fora. A humanidade: um sórdido formigueiro de trágicos pequeninos bípedes a se agitarem num planetinha dos mais vagabundos, um milhão de vezes menor que o Sol, o qual é outra pulga num sistema onde há sóis milhões de vezes maior[es] do que ele. Tudo pulga e pulgões. Tudo zero. Tudo nada. E tudo vaidade das vaidades. O Eclesiastes está certo – é a única coisa certa no mundo – a única coisa decente que o bichinho homem jamais escreveu. Tudo é vaidade e aflição de espírito (...) Você está errado. Toma a sério demais coisas e bichos que não merecem ser tomados a sério. Toma a sério um planeta que no nosso próprio sistema planetário não passa duma isca de . Abra um livro de Astronomia e envergonhe-se de fazer parte do rebanho de pulgões que parasita esta isca de . Imortais, imortalidade, latas, instituições, reis, presidentes, Getúlio, Armando, Churchill, Stalin, Hitler, tutti quanti: pulguinhas magras convencidas de que são gordas. Literatura: bichinhos dizendo o que pensam de outros bichinhos. Tudo bicharia. Bicheira. Tudo bobagem. Ponha o Eclesiastes em teu criado-mudo e faça dele teu livro de cabeceira – e ria-se comigo do sórdido rebanho que rola às cegas para o abismo da morte, um a falar mal do outro, um a aporrinhar o outro, a roubar o outro, a enganar o outro, a disputar latas vazias, etc. etc.

Mude de ponto de vista e sararás – e rirás do que agora te faz sofrer. Dispa as grandes gentes e veja como são grotescas. Ponha o papa nu, de cuecas, com a piroquinha murcha pendurada e veja se há uma beata que tenha coragem de lhe beijar o chupelento. Tome o figurão mais importante do Rio e veja-o no banheiro, de cócoras na ‘Pescada’, peidando – botando para fora os resíduos fedorentos do que comeu no [Bar] Brama. E vai você aborrecer-se por causa deste cagão?

Vanitas vanitatem. Tudo é vaidade e aflição de espírito. Distribua um cacho de bananas para os imortais que te aporrinharem por causa do Lobato e ria-se, e vá lavar a alma com um chope no Simpatia. Tome um por você e outro por mim – dos grandes. E ria-se, ria-se, pois o riso nos salva.”

(Excertos extraídos de: SALIBA, Elias Thomé. – Raízes do Riso: a representação humorística na história brasileira – da Belle Époque aos primeiros tempos do rádio.São Paulo: Companhia das Letras, 2002. – pp. 147-148).


Dois registros adicionais:

1. Me tornei – modéstia à partebastante eficiente e convincente na interpretação deste texto, devido às várias leituras que dele fiz. Se os leitores um dia o desejarem, apenas peçam para que eu leia para vocês. Será, no mínimo, um espetáculo, eu garanto...

2. Este texto veio parar aqui depois de várias idas e vindas, tentativas e desistências. Ele aparece aqui finalmente agora como uma espécie de homenagem especial a uma pessoa querida que acabou de fundar o seu próprio blog. Ainda não sei para que servem os blogs, mas isso não quer dizer que eu não me esforce e ria ao tentar descobrir...


Cada um de nós... Somos tão pequenos, não?! Por vezes, quando me dou conta da minha insignificância do ponto de vista cosmológico – paradoxalmente – percebo profundamente, na mesma medida, o quão grandioso sou como parte de um Universo pleno de possibilidades maravilhosa e propositalmente insignificantes... Vale, do fundo do coração, a frase célebre de Pitágoras, outra daquelas que merecia impressão com destaque em praça pública: “O limitado dá forma ao ilimitado”.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Liberdade

Abaixo, reproduzo livremente um diálogo do episódio-piloto da série “Kung-Fu”, do início dos anos setenta. No futuro, pretendo falar mais longamente sobre essa série, uma influência importante na minha vida: ela certamente merece comentários!


O
menino Kwai Chang Caine, de uns doze anos de idade, recém-adentrado no famoso Templo Shaolin, encontra-se dentro com o Mestre Po, um velho monge cego. O menino comenta com o idoso a prisão que a cegueira deve representar para ele, e como essa condição seria triste para o monge. Mestre Po, com voz firme, pede que o discípulo Caine bata nele com uma vassoura com todas as forças. Depois de hesitar, o monge repete a ele a ordem, agora mais energicamente, e o discípulo finalmente obedece. Todos os golpes lançados pelo garoto são facilmente aparados pelo monge que, contra-atacando, derruba o discípulo diversas vezes, rindo divertido em seguida. Depois de ajudar o boquiaberto discípulo a se erguer, seguindo-se uma breve pausa, mestre e discípulo conversam sobre como seria possível o monge cego realizar aparentes façanhas com tamanha precisão:


Master Po: Close your eyes. What do You hear?

Young Kwai Chang Caine: I hear the water. I hear the birds...

Master Po: Do You hear your own heart beat?

Young Kwai Chang Caine: No.

Master Po: Do You hear the grasshopper which is at your feet?

Young Kwai Chang Caine (espantado): Old man, how is it that You hear these things?

Master Po: Young man, how is it that You do not?


terça-feira, 23 de outubro de 2007

Passadismo

Nos últimos meses, depois de eu ter finalmente terminado o mestrado, uma sucessão de coisas interessantes vem acontecendo... Estou – por meios curiosos ou mesmo na pancada – aprendendo a apurar o que tenho, a me afinar com as coisas da vida de um jeito gostoso justamente porque lento e surpreendente.


Ando farejando
padrões familiares nos acontecimentos mais fortuitos: nesse período, muitas coisas vêm retornando à minha vida por caminhos imprevistos. Pessoas, músicas, filmes, livros, memórias, idéias, sentimentos; estão todos retornando em cascata e se empilhando diante de mim como naquelas montanhas de burocracia de repartição pública, para as quais o funcionário que acaba de chegar de suas férias olha com desalento.


No
entanto, devo anotar uma espécie de inversão: não voltei de férias, e não me sinto desesperançado. É justamente o contrário! Me desliguei de mim mesmo nos últimos tempos da forma mais intensa que vivi, e deixei simplesmente de sentir o gosto das coisas. Quanto aos resultados disso, alguns aparecerão aqui, por escrito; a maioria, entretanto, vai mesmo é ser posta à prova no maltratado cotidiano.


De
pessoas que tenho encontrado a músicas que tenho ouvido, de comidas que eu não comia há tempos a filmes revisitados, de lugares antigos a leituras conhecidas, tenho descoberto novos olhos, ouvidos, paladar, olfato, tato. Sensibilidade e intuição. Em verdade, mais do que as conquistas nos cinco sentidos, é no sexto que o mundo vem se descortinando, num espetáculo que me leva com freqüência a rir com a cabeça abaixada, quase com vergonha por experimentar o novo no antigo.


A
vida volta a ter sabor, mas o sabor anda mudado, mexeram no tempero. Que bom!


Sei que o texto acima está obscuro. Prometo aos leitores e a mim mesmo (nessa ordem) que isso não acontecerá muitas vezes. Tudo isso para dizer uma frase, que tem me ocupado a cabeça:


“O
homem sábio anda com a cabeça abaixada, humilde como a poeira”.


Me sinto no direito de dizer a mim mesmo, com inédita alegria: “bem-vindo de volta”!


domingo, 17 de junho de 2007

Orações

“as cinco cores cegam a visão do homem

os cinco tons ensurdecem a audição do homem

os cinco sabores embotam o paladar do homem

galopes e calçadas frenesiam o coração do homem

bens custosos obstam as ações do homem

por isso o homem santo

sendo entranhas não olhos

afasta o ali agarra o aqui”

“quem conhece o outro é sábio

quem conhece a si mesmo é iluminado

quem vence o outro tem força

quem vence a si é forte

quem se contenta é rico

quem se força a andar tem querer

quem não perde seu lugar perdura

quem morre sem se anular tem a vida”

I must not fear.

Fear is the mind-killer.

Fear is the little-death that brings total obliteration.

I will face my fear.

I will permit it to pass over me and through me.

And when it has gone past,

I will turn the inner eye to see its path.

Where the fear has gone there will be nothing.

Only I will remain”.


Primeiros dois textos: Cantos XII e XXXIII do “Dao de Jing”, de Laozi (604 a. C. - ?).

Terceiro texto: Bene Gesserit Litany Against Fear, from “Dune”, by Frank Herbert.